Minhas Reflexões

“Moça, moça, oh moça!” 


Ele é especial! E...
Dia 28 de abril de 2014 me submeti a uma cirurgia no Hospital Geral do Pirajussara em Taboão da Serra  e numa sala destinada ao  pós operatório, deparei-me com várias pessoas na mesma situação que eu. Uma dessas pessoas acamadas me chamou atenção, um jovem de vinte e poucos anos, chamava insistentemente uma enfermeira: “Moça, moça, oh moça!” e nada ninguém respondia ao jovem. Percebi que ele estava amarrado à cama. Eu chamei a enfermeira e prontamente ela me atendeu: “Moça! Porque ninguém atende o rapaz?  Ela respondeu: Ele é especial!”
Uma enfermeira nova no hospital  percebeu minha indignação e resolveu chegar perto dele e perguntou o que ele queria e  ele falou: “Quero minha mãe, cadê minha mãe?” e acalmou-se logo que ouviu que sua mãe já viria.
 Era só uma pergunta, uma simples pergunta a responder para esse jovem que havia acordado naquele momento, anestesiado ainda.
Achei que era só na educação que pessoa com necessidade especial era ignorada ou deixada de lado. Sonho meu, na saúde também. 
Percebi também que a humanização na área da saúde está longe de acontecer...
Um enfermeiro chamado Rafael, parecia ser “PHD” em ignorar . Ignorava as chamadas insistentes de um telefone, as solicitações dos pacientes, dos colegas e olha que ele estava treinando uma colega de trabalho, que apesar de estar aparentemente incomodada, como eu, com a situação fazia o que ele mandava. 
Ignore o chamado, ele é especial e fala sempre a mesma coisa.
Ignorar, palavra de ordem!
#sesentindoincomodadíssima







Por Flo Costa *
A escola onde trabalho é grande, tem muitos alunos  que correm, brigam, brincam, estudam, bagunçam...
Alguns deles suscitam a curiosidade dos colegas e muitas vezes dos adultos que lá trabalham. Dependendo da criança  a pergunta feita é para ela mesma: "Qual é o seu nome?", ou ainda "Porque você age assim? É feio..." e o sermão segue. Então porque com alunos ditos "deficientes**" quando agem de determinada forma, são questionados através da pessoa que o acompanha no momento, no caso eu, professora do AEE, através de uma pergunta: " O QUE ELE TEM?". 
A escola é um espaço de investigação e isto sugere perguntas constantes, simples ou complexas, sugerem que a pessoa quer saber, conhecer. Afinal, saber o que?
Paulo Freire, em seu livro "Por uma Pedagogia da Pergunta", sugere a melhoria das perguntas para acesso às informações. Como responder a esta pergunta: "O QUE ELE TEM". Será que temos que responder por eles? Algumas vezes sim, outras não. 
Um aluno que atendo, há um tempo atrás, não queria entrar na sala pois seu professor não havia vindo e ele não queria ficar com o substituto e sim no AEE, comigo. Neste momento ele foi questionado por uma das professoras  que falou a ele: "Por que quer ir para o AEE, se lá você só ficará desenhando? (!!!!!) e o aluno respondeu prontamente: " Não, lá nós aprendemos muito, estudamos também!"
Este ocorrido nos mostra como as pessoas não pensam , muitas vezes para formular algumas questões para o esclarecimento das duvidas. Este professor não sabe do trabalho desenvolvido em sala multifuncional, e tem pré conceitos que os julga verdadeiros.
Quando o professor pergunta o que ele tem, será que ele quer saber se ele tem casa, se tem mãe e pai, irmão, primos, TV , Tablet? É claro que não. Por isso essa pergunta tem que ser respondida e muito bem respondida. este professor que saber o diagnóstico.

 Você responde através de uma sigla, por exemplo: CID - 10 F84.3. Outro Transtorno Deisntegrativo da Infância, e aí? O que muda?
Tudo  se este professor quer realmente conhecer o aluno. Conhecer tem a ver com respostas e respostas tem a ver com atitudes futuras. 
O que vou fazer com esta informação? INVESTIGAR  para saber onde posso melhorar com relação ao atendimento deste aluno e de seus colegas e também entender um pouco mais do processo de desenvolvimento da aprendizagem deste aluno e algumas característica comportamentais dele, lembrando que uma simples mudança atitudinal pode fazer diferença não só para o sujeito em questão e sim para muitos. Quem ganha? TODOS.
O que fazer com a pergunta? Ficando com ela "entalada" na garganta, corremos o risco de cair no "achismo", ou 
 

** não gosto deste termo porque parece que os outros são eficientes e eles não

*Professora Floripes Soares Costa, atua junto aos alunos público alvo da Educação Especial, desde 1996, em Taboão da Serra e na EMEF Professora Therezinha Volpato Baro, desde 2010.


21 de Setembro
Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes

O QUE TEMOS A COMEMORAR?
Por Prof.ª Flo Costa
Sou professora em Taboão da Serra desde 1996, sempre atuando na Educação Especial. Há três anos em Sala Multifuncional na EMEF Prof.ª Therezinha Volpato Baro, atualmente atendendo 29 alunos.
Conheci esta escola em 2003 e naquela época a escola já tinha diversos alunos com deficiência, lembro-me dos nomes de alguns como, Brenda, Thifani, Maurício, Uarlei e também da preocupação dos professores em atender  bem estes alunos. O que mudou então? O número de alunos incluídos aumentou, as dificuldades também, mas algumas conquistas foram acontecendo.
Em 2008 foi inaugurado o Centro de Reabilitação Especial Renato Phillipe Hanai Mendes, no Jardim Vitória, que atende a Pessoas com Deficiência maiores de 18 anos, diminuindo, então, a grande lacuna existente na questão do encaminhamento do aluno com idade maior que 18 anos.
Com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008, que traduz em seus objetivos a garantia do acesso à escolarização na sala de aula comum do ensino regular e a oferta do atendimento educacional especializado complementar, aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O entendimento sobre a questão da inclusão foi o mais diverso possível, muitas dúvidas e muitas indagações.
Hoje a inclusão não pode mais ser entendida como sujeito e sim como ação, como disse certa vez uma professora do TVB, Soraia.
Na Emef Profª Therezinha Volpato Baro, O Atendimento Educacional Especializado acontece desde 2009 em uma das salas da escola.
Temos também o CIADEVA, que atende os alunos com Deficiência Visual e Auditiva no contra turno, como é o caso das Salas Multifuncionais do município e o CMHR Amor Perfeito atendendo alunos com múltiplas deficiências. Temos hoje na Secretaria de Educação uma equipe multidisciplinar para apoio e capacitação dos professores atuantes em Sala Multifuncional.
O que temos a comemorar?
Estas conquistas, que aos olhos de muitos são poucas, mas que para mim que acompanha a Educação Especial neste município há 16 anos foram grandes e importantes.
Quem ganha com tudo isto?
Todos.



Círculo, o vai e volta da Educação Especial
(Uma breve reflexão)


A impressão que tenho algumas vezes é que andamos em círculo quando a discussão é Educação Especial. Para tranformar este círculo em uma reta, ou melhor,  uma linha, onde o caminho é longo com infinitas possíbilidades de crescimento, temos que refletir muito e agir. Ouvi certa vez, "Inclusão é ação não sujeito!". Agir, palavra de ordem. Precisamos mudar, transformar nossa prática. Deparo-me com professores, ainda muito resistentes em receber um aluno que tenha deficiência, muitas vezes ouço questionamentos sobre a lei, mesmo ela sendo fato, um direito do sujeito. Penso a Educação Especial como um grande desafio, o de entender que todos nós aprendemos, independente do tempo e que o currículo para ser eficaz tem que ser funcional, pensado em cada aluno e não em todos os alunos, considerando a habilidade e competência de cada um, para traçar o plano de trabalho e caminhar numa linha, algumas vezes sinuosas, mas quem disse que a aprendizagem tem que acontecer em linha reta? A aprendizagem ocorre nas duvidas, nos erros, nos obstáculos, enfim nas dificuldades. 
"O bom aprendiz é aquele que erra, que vai e volta, que sabe o que não está aprendendo. Quem não erra, nem tampouco faz..." (Jaime Luis Zorzi)

Porque fiz Pedagogia e não Oceanografia?

Por: Floripes Soares Costa

Desde pequena tinha um sonho. Diferentemente de muitas meninas eu não sonhava em ser professora, sonhava ser uma Oceanógrafa e trabalhar no  Navio de Apoio Oceanográfico Barão de Teffé .Como e quando isso começou, eu não me lembro, mas recordo-me de ver documentários com Jacques-Yves Cousteau, sonhar em casar com seu filho, Philippe e morar na costa da França. Sonhos, que até o ensino médio me perseguiram, até o dia em que fui ao meu primeiro congresso a convite de, na época, uma cunhada. O congresso era da SBPC e foi no Rio de Janeiro e tinha muitas exposições sobre biologia marinha, que me fascinava. A Universidade era imensa, linda, cheia de pessoas bonitas e interessadas em todos os tipos de assunto. Resolvi entrar em um dos auditórios que estava lotado e que me chamou a atenção. O Palestrante, até então desconhecido para mim, era Paulo Freire, que falava com muito entusiasmo sobre alfabetização e assuntos ligados a educação. Fiquei encantada com o assunto e naquela hora, o sonho que me perseguia foi mudando. Mudar causa desconfortos e um deles era como falar para minha mãe que depois de fazer curso técnico na área de biológicas, a um custo bem alto, eu iria para área de humanas, mais especificamente, Pedagogia. Pesquisando descobri que na PUC de Campinas, havia um curso intitulado Educação de Deficientes Áudio Comunicação. Foi aí que ingressei na área que estou até hoje, a educacional e com especialização em educação especial.

Porque eu resolvi escrever sobre isso? Estava em uma reunião na secretaria de educação do município que trabalho e numa discussão sobre a necessidade de todos os professores terem o curso de Pedagogia para poder continuar atuando junto aos alunos nas escolas quando, para minha surpresa, uma professora se manifestou e disse: "Sei que posso ser linchada pelo que vou dizer, mas eu me recuso a fazer Pedagogia, para aprender novas formas da amarelinha". Fiquei enraivecida, mas depois de muito pensar nesta fala, nesta triste fala, me veio a questão: "Porque fiz Pedagogia?".

Eis a resposta: "Fiz para aprender a ser, a fazer", com contribuição de  Perrenoud, o que talvez essa professora não aprendeu no seu curso específico focado só na disciplina e não na pessoa do aluno.

A sorte dessa professora é que não estamos mais no tempo da inquisição, senão além de linchada, ela seria queimada viva. Ainda bem que ela estava cercada por Pedagogos, pessoas educadas e tolerantes.
Outubro/2011






O Planejamento Educacional Para que e para quem?


Uma das preocupações na educação é o registro. Como fazê-lo, o que apontar e para quem ele está a serviço.
José Saramago disse certa vez que “... falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma". (Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008).
Pensar o aluno dá trabalho, pois não conseguimos escrever sobre ele sem saber de sua vida e de sua família. Temos que ser um pouco "Sherlock Holmes". Investigar, procurar por pistas indicativas de como é esse aluno fora da escola, que muitas vezes não é como ele é na escola. Há muito tempo lidei com a escola, que é minha área de trabalho, como algo paralelo à família e a vida do aluno. Paralelos nunca se encontram.
O planejamento educacional, precisa se aproximar da escola, do aluno e de sua família, como linhas que se cruzam, dando nós. Não nós difíceis de desatar e sim nós que geram enlaces. Segundo Romeu Sassaki "o processo de desenvolvimento do planejamento envolve professores, outros profissionais da escola e pais em diversas etapas e ações... e o processo de revisão dele é como um plano de viagem que necessita ser revisto durante o percurso a fim de atender às novas circunstâncias que poderão surgir”... Diz ainda que “o processo é circular no sentido de que ele não começo nem fim, enquanto perdurar a necessidade de “corrigir rumos” sempre no melhor interesse do aluno (suas habilidades, seus interesses, suas necessidades etc.).”.
Muitas vezes uma conversa/entrevista com a família do aluno, nos ajuda a determinar que habilidades sejam funcionais ao desenvolvimento dele e que muitas vezes não é na escola que vamos percebê-las e sim no meio familiar, que é restrito a ele, isto é um instrumento valioso para avaliação e planejamento do trabalho a ser realizado com o aluno; a família. A confiança é chave para essa parceria, que gera entusiasmo com relação ao aluno. Esse entusiasmo dá ao aluno legitimidade para aprender no seu tempo.
O planejamento individual do aluno com deficiência, que frequenta o ensino regular, feito pelo professor da sala multifuncional tem que ter na sua concepção um apanhado de dados e de informações existentes sobre o aluno. Muitas dessas informações nos ajudam a entender um pouco este aluno facilitando o pensar sobre o nosso trabalho.
Uma das definições da palavra Registro no dicionário é: “Torneira ou válvula para parar ou regular o fluxo de um líquido através de um cano etc." Metaforicamente o planejamento é como uma torneira. Ele serve para, entre outras coisas, regular a participação efetiva do aluno neste "cano" que é a escola.
Flo Costa
Prof.ª de Educação Especializada


SEMANÁRIO DO PROFESSOR


Será que quando planejamos uma semana de aula nos damos conta de tudo que está envolvido neste fazer? Preparamos-nos para este momento onde decidimos o que vamos trabalhar sobre o que é funcional e significativo para o aluno?

O semanário por um longo tempo na minha carreira de professor, foi um registro das atividades planejadas. Demorou longos anos para eu entender da necessidade dele se tornar um real instrumento de trabalho que direciona o meu fazer pedagógico.

Vamos pensar em um neurônio, aquela célula do sistema nervoso. Ele é uma célula complexa e indispensável para que realizemos qualquer movimento. O planejamento, o registro do professor, seja ele semanal ou não, é indispensável para o direcionamento do trabalho.



Só para recordar: Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam como receptores de estímulos, funcionando como "antenas" para o neurônio. Os axônios são prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos.

Todos os axônios terminam em ramificações chamadas botões terminais. O terminal do axônio é o local onde seu neurônio entra em contato com outros neurônios e/ou outras células (músculares, etc) para transmitir o impulso nervoso.

A região onde um neurônio entra em contacto com outro para a passagem do impulso nervoso chama-se sinapse. Os axônios costumam ter muitas ramificações e cada uma delas forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares. Estas ramificações são chamadas coletivamente de árvore terminal. O axônio está envolvido por uma bainha de mielina que é composta de um tipo de gordura, juntamente com uma proteína básica chamada mielina, a qual atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. (Ballone GJ - Neurônios e Neurotransmissores - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br , 2008 )

O semanário é como um neurônio, o axônio é o conteúdo e deles saem ramificações que se unem a outros conteúdos ou disciplina, para que isso aconteça tem que estar sempre sendo replanejado, repensado. Um planejamento em rede.



"O planejamento de cada um deve ser coerente com a proposta pedagógica geral. Não se planeja só no começo do ano”, diz Regina Scarpa. “Os professores, os coordenadores e o diretor devem estar sempre em contato”.

O semanário exige do professor muito trabalho, pois as ramificações derivadas deste planejamento vão se unir a outros e daí a continuidade do trabalho.

A avaliação do planejamento semanal deve levar em conta se houve ou não equilíbrio entre as atividades planejadas, se teve adequação à idade, melhorou da participação do aluno, aumentou as competências.

Segundo Romeu Sassaki, o processo é circular no sentido de que ele não começo nem fim, enquanto perdurar a necessidade de “corrigir rumos” sempre no melhor interesse do aluno (suas habilidades, seus interesses, suas necessidades etc.).
Flo Costa


 

Temos que estar atentos ao que o aluno nos fala, mesmo que não fale. Li, há muitos anos, um poema  que dizia mais ou menos assim : " Eu disse no pé, disse nos dedos das unhas roídas, eu funguei, eu uivei, eu babei e você me pediu para falar..." (Zé Carlos).
O aluno o tempo todo narra sua história. O papel do professor, segundo David Epston, é literário. É o de ajudar o aluno a escrever e entender este enredo.
Quer conhecer David Epston: :
http://www.narrativeapproaches.com/
http://praticasnarrativas.familia.med.br/davidepston.php
Sobre práticas narrativas:
http://praticasnarrativas.familia.med.br/texto03.php


RETOMADA DO ANO
Neste ano, a maior dificuldade que encontrei com relação ao trabalho realizado em sala multifuncional, foi efetivar a troca de informações com os professores dos alunos atendidos. O horário que estava na escola, manhã, não possibilitava encontros com os professores do intermediário e vespertino.Algumas vezes alguém intermediava esta relação,porém gerava uma inquietação com relação às dúvidas que tanto eu como o professor do aluno atendido tínhamos.
Para 2011, estarei os dois períodos na escola, o que possíbilitará, espero eu, esta aproximação do professor da escola com a sala multi.
Este blog será direcionado, principalmente, a este grupo de professores que poderão acompanhar o que seus alunos vem realizando em sala de aula, através de relatos,fotos ou filmes, além de sugestões de atividades que podem, muitas vezes, auxiliar este professor nas atividades em sala.
Flo costa


ESCONDE ESCONDE, UMA BRINCADEIRA QUE ENSINA

            Estava em um salão de cabeleireira, próximo da escola em que trabalho. Várias meninos de aproximadamente dez e onze anos, brincavam em frente ao salão.
            Entre gritos, correria e brincadeira, eis que surge um menino menor com uns sete anos, querendo participar da brincadeira.
            Comecei  a prestar atenção na conversa dos meninos. Para minha surpresa eles não se importaram do pequeno menino querer brincar com eles e um deles falou ao pequeno menino: "Bate aí, e conte até sessenta...", fazendo alusão a ele encostar a cabeça no poste e contar  até sessenta, para que todos pudessem se esconder. O menino fala: "Eu não sei contar até sessenta", senti um certo desapontado na fala dele.  Pensei que a brincadeira continuaria sem o pequeno menino, mas um dos meninos pergunta para ele até que número ele sabe contar e o menino responde que sabia contar até o número 20. "Tudo bem falou o menino maior...é só você contar até vinte três vezes que dá sessenta!".
            Grande menino! Deu uma aula de ensinamento a uma professora, que emocionada sucumbe a ele e só não o aplaude, para não parecer uma louca no salão da cabeleireira.     Afinal acredito que, somente eu olhava a brincadeira e admirava aquele momento.
            A brincadeira aconteceu e cada vez que o pequeno menino chegava ao número vinte, alguém gritava: "Mais uma vez!", e ao chegar na terceira contagem, outro grita bem de longe: "Pode vir!" e todos brincaram alegres e satisfeitos.
            Temos muito que aprender com estas crianças, pois muitas vezes elas nos indicam um caminho para uma verdadeira e efetiva inclusão.

 Flo Costa
Abril/2011